Há muitos anos a Tostines veiculou uma série de comerciais na forma de desenhos animados que fixaram no imaginário popular o que ficou conhecido como Dilema Tostines. Num desses comerciais uma espécie de monge sufista meditava em posição de lótus no alto de uma montanha enquanto ela era escalada por um persistente discípulo que, ao conseguir alcançar o ponto mais alto onde o mestre se encontrava meditando, faz a seguinte pergunta: "Mestre, Tostines vende mais por que é fresquinho ou é fresquinho por que vende mais? Me dá uma luz, mestre!". Sem se abalar com a interferência do discípulo o mestre apenas levanta a pestana do olho direito fazendo cair um raio do céu que chamusca completamente o discípulo.
Coisa semelhante aconteceu com a entrevista concedida pelo guru do marketing Philip Kotler a alguns diretores de marketing brasileiros. Depois de repetir - com a autoridade do próprio Verbo Encarnado - obviedades publicitárias conhecidas até por quem não é do ramo, ele conclui a entrevista (que limitou a seis perguntas das quais três ele embutiu na última resposta) com a seguinte sentença etérea: "a lógica do marketing carrega uma contradição inerente: uma empresa falhará se não inovar e é provável que ela falhe se inovar também".
Depois dos discípulos subirem a montanha e conseguirem um à parte com o mestre para dirimirem suas mais profundas dúvidas, o mestre levanta a pestana, olha para eles com indiferença, e ainda lhes devolve o dilema para o qual buscavam solução sob a forma do que está sendo chamado aqui de Paradoxo de Kotler. Para completar, o guru acrescenta a insigne declaração: "Por essa razão, cada empresa precisa encontrar seus próprios caminhos para escapar deste grande dilema". Em linguagem popular isso quer dizer: salve-se quem puder! Dá teu jeito! Mas isso não é o pior. O próprio conteúdo do Paradoxo de Kotler é o raio que ele faz cair sobre as cabeças dos inconsolados discípulos.
Certamente a última declaração - seja na formulação clássica de Kotler, seja na versão popular descrita acima - foi assimilada por seus interlocutores. Quanto ao Paradoxo, esse tem implicações que se forem explicadas, podem chamuscar menos. Em lógica, a sentença de Kotler é chamada de Teoria da Decisão. Isso quer dizer o seguinte: se há duas decisões possíveis (inovar ou não) como estar seguro de que a opção feita foi a melhor? Ou seja, como sair da forquilha em que o paradoxo de Kotler pode ter colocado seus interlocutores? O que vale a pena fazer? É claro que o "dá teu jeito!" não é uma resposta satisfatória.
Certamente o leitor já deve ter ouvido falar na Aposta de Pascal, certo? Ela consiste no seguinte: Como não podemos saber se Deus existe, é mais "negócio" acreditar ou não na existência dele? Não se esqueça que se trata de uma aposta que pode definir o destino do apostador! Pascal conclui que devemos apostar na crença em Deus. Por quê? Ora, se Deus existir será melhor se considerarmos a perspectiva da felicidade eterna que se abre aos crentes; se Ele não existir, também ganhamos pelo simples fato de a crença nos afastar de coisas "mundanas" que podem prejudicar nossa boa existência.
Em lógica, uma escolha é chamada dominante em relação a uma outra se é tão boa quanto à outra em todos os resultados e melhor do que a outra em alguns. Por isso, Pascal aposta que acreditar é melhor: se eu não acreditar, eu posso estar perdendo caso Ele exista; se eu acreditar eu posso não ganhar, mas também não perco nada. Por isso, a escolha dominante no caso do Paradoxo de Kotler é a de que as empresas devem investir em inovações: se não investir, não abocanha parte do mercado sedento por novidades e ainda corre o risco de desaparecer (queimar no fogo do Inferno caso Deus exista); se investir, pode ser que a concorrência não permita um retorno satisfatório, mas pelo menos vai estar no "balão de ar" do investimento e pode, quem sabe, encontrar no curso da aposta feita aquela idéia genial que pode render muitos zeros na receita do próximo ano fiscal (o paraíso).
No caso de Kotler, as duas escolhas são não-dominantes (pessimistas). Se o Paradoxo de Kotler tivesse valor universal, a Teoria Matemática da Comunicação de Claude Shanon que tornou possível a linguagem binária da informática não seria possível, pois segundo Shanon 1Bit de informação é igual à escolha feita entre duas opções (0 e 1). Ou seja, o paradoxo de Kotler não produz informação! Sendo pessimistas com relação ao futuro, como vamos construir o sentido de nossas ações no presente?
Um americano bem posicionado pode ser pessimista em relação às inquietações do mercado brasileiro, mas o mercado brasileiro deve ser otimista em um momento em que um dos principais assuntos da pauta do marketing é a regulamentação legal da profissão e que tem, entre outras coisas, o poder definir o futuro desse mesmo mercado. É uma questão de Comunicação Social.
Vida é movimento, Devir, Risco, só "falha" quem não age. Mestres são especialistas em jogar raios na nossa cabeça. E pra isso eles só precisam levantar uma pestana. É por isso que Nietzsche diz: "Retribui-se mal a um mestre quando se permanece sempre e tão somente um discípulo". Guardado o devido respeito que às vezes os mestres inspiram, precisamos fazer como David Carradine na série Kung Fu: colocar a mochila nas costas e decidir que caminho seguir. Melhor do que se submeter a "autoridade" de quem só diz o que a gente já sabe ou que talvez sinta um prazer mórbido em nos chamuscar.
QUATRO pessoas, num mesmo dia, me dizem que vão fazer 30 anos. E me anunciam isto com uma certa gravidade. Nenhuma está dizendo: vou tomar um sorvete na esquina, ou: vou ali comprar um jornal. Na verdade estão proclamando: vou fazer 30 anos e, por favor, prestem atenção, quero cumplicidade, porque estou no limiar de alguma coisa grave.
Antes dos 30 as coisas são diferentes. Claro que há algumas datas significativas, mas fazer 7, 14, 18 ou 21 é ir numa escalada montanha acima, enquanto fazer 30 anos é chegar no primeiro grande patamar de onde se pode mais agudamente descortinar.
Fazer 40, 50 ou 60 é um outro ritual, uma outra crônica, e um dia eu chego lá. Mas fazer 30 anos é mais que um rito de passagem, é um rito de iniciação, um ato realmente inaugural. Talvez haja quem faça 30 anos aos 25, outros aos 45, e alguns, nunca. Sei que tem gente que não fará jamais 30 anos. Não há como obrigá-los. Não sabem o que perdem os que não querem celebrar os 30 anos. Fazer 30 anos é coisa fina, é começar a provar do néctar dos deuses e descobrir que sabor tem a eternidade. O paladar, o tato, o olfato, a visão e todos os sentidos estão começando a tirar prazeres indizíveis das coisas. Fazer 30 anos, bem poderia dizer Clarice Lispector, é cair em área sagrada.
Até os 30, me dizia um amigo, a gente vai emitindo promissórias. A partir daí é hora de começar a pagar. Mas também se poderia dizer: até essa idade fez-se o aprendizado básico. Cumpriu-se o longo ciclo escolar, que parecia interminável, já se foi do primário ao doutorado. A profissão já deve ter sido escolhida. Já se teve a primeira mesa de trabalho, escritório ou negócio. Já se casou a primeira vez, já se teve o primeiro filho. A vida já se inaugurou em fraldas, fotos, festas, viagens, todo tipo de viagens, até das drogas já retornou quem tinha que retornar.
Quando alguém faz 30 anos, não creiam que seja uma coisa fácil. Não é simplesmente, como num jogo de amarelinha, pular da casa dos 29 para a dos 30 saltitantemente. Fazer 30 anos é cair numa epifania. Fazer 30 anos é como ir à Europa pela primeira vez. Fazer 30 anos é como o mineiro vê pela primeira vez o mar.
Um dia eu fiz 30 anos. Estava ali no estrangeiro, estranho em toda a estranheza do ser, à beira-mar, na Califórnia. Era um homem e seus trinta anos. Mais que isto: um homem e seus trinta amos. Um homem e seus trinta corpos, como os anéis de um tronco, cheio de eus e nós, arborizado, arborizando, ao sol e a sós.
Na verdade, fazer 30 anos não é para qualquer um. Fazer 30 anos é, de repente, descobrir-se no tempo. Antes, vive-se no espaço. Viver no espaço é mais fácil e deslizante. É mais corporal e objetivo. Pode-se patinar e esquiar amplamente.
Mas fazer 30 anos é como sair do espaço e penetrar no tempo. E penetrar no tempo é mister de grande responsabilidade. É descobrir outra dimensão além dos dedos da mão. É como se algo mais denso se tivesse criado sob a couraça da casca. Algo, no entanto, mais tênue que uma membrana. Algo como um centro, às vezes móvel, é verdade, mas um centro de dor colorido. Algo mais que uma nebulosa, algo assim pulsante que se entreabrisse em sementes.
Aos 30 já se aprendeu os limites da ilha, já se sabe de onde sopram os tufões e, como o náufrago que se salva, é hora de se autocartografar. Já se sabe que um tempo em nós destila, que no tempo nos deslocamos, que no tempo a gente se dilui e se dilema. Fazer 30 anos é como uma pedra que já não precisa exibir preciosidade, porque já não cabe em preços. É como a ave que canta, não para se denunciar, senão para amanhecer.
Fazer 30 anos é passar da reta à curva. Fazer 30 anos é passar da quantidade à qualidade. Fazer 30 anos é passar do espaço ao tempo. É quando se operam maravilhas como a um cego em Jericó.
Fazer 30 anos é mais do que chegar ao primeiro grande patamar. É mais que poder olhar pra trás. Chegar aos 30 é hora de se abismar. Por isto é necessário ter asas, e sobre o abismo voar.
Morreu na manhã desta sexta-feira, às 8h20, o ator Norton Nascimento, 45 anos, no Hospital Beneficiência Portuguesa, em São Paulo.
Em dezembro de 2003, o ator fez um transplante de coração para tratar de um aneurisma e passou seis meses em recuperação.
Segundo o hospital, Nascimento estava internado na UTI, mas a causa da morte ainda não foi divulgada.
Carreira
Norton Nascimento nasceu em 4 de janeiro de 1962, na cidade de Belém. Seu primeiro trabalho na TV foi na novela Os Imigrantes, de 1981, mas foi em Fera Ferida (1993), de Gilberto Braga e Ricardo Linhares, que ele ficou conhecido no resto do Brasil.
Em dezembro de 2003, Norton Nascimento se submeteu a um transplante de coração para corrigir um aneurisma, dilatação anormal de vaso sanguíneo na aorta, depois de ficar 52 dias internado.
Na época, o ator precisou de 73 doações, entre sangue, plaquetas, plasma e um coração. O último foi doado pela família de um médico carioca que morreu num acidente de carro.
Nos seis meses de recuperação, Nascimento tornou-se adepto da Igreja Renascer em Cristo e passou a fazer trabalhos em prol de comunidades carentes. Fez ainda uma campanha de doação de órgãos na TV Globo. "Doar é amar", disse, na época.
O último trabalho de Norton Nascimento na TV foi na novela Maria Esperança, do SBT, onde ele interpretou o personagem Nocaute.
Trabalhos na TV
2007 - Maria Esperança 2001 - As Filhas da Mãe 2001 - A Padroeira 2001 - Brava Gente 2001 - Sai de Baixo 2000 - Aquarela do Brasil 1999 - Chiquinha Gonzaga 1994 - Você Decide 1997 - Malhação 1996 - O Fim do Mundo 1995 - A Próxima Vítima 1993 - Fera Ferida 1993 - Agosto 1992 - De corpo e alma 1981 - Os Imigrantes 1992 - De Corpo e Alma 1981 - Os Imigrantes Trabalhos no cinema 2004 - Araguaya - A Conspiração do Silêncio 1999 - Até que a Vida nos Separe 1998 - Drama Urbano 1995 - Carlota Joaquina - Princesa do Brasil
Os autores das histórias, quase todos novatos, podem chegar à consagração mesmo fora da telinha. De cada dez obras de ficção mais vendidas no primeiro semestre de 2007 no Japão, cinco começaram como "romances de celular", com tiragens médias que chegam a 400 mil exemplares, informa a imprensa japonesa. Chamados keitai shosetsu, em japonês, os "romances de celular" são narrativas curtas que muitas vezes contam com interação do leitor e são influenciadas pelos mangás, as histórias em quadrinhos de muito sucesso no país.
Seus autores, quase sempre adolescentes e jovens na faixa dos 20, escrevem para um público que vive grudado na telinha dos celulares.
Da tela para as páginas
Várias das histórias foram transformadas em livros impressos. Um exemplo é Koizora ("Céu-Amor", em tradução livre), a saga de um rapaz com câncer que rompe com a namorada para poupá-la de seu sofrimento. Publicada em livro, a obra vendeu mais de 1,3 milhão de exemplares e está para ser transformada em filme.
Os leitores das histórias de celular são, na maioria, alunas do ensino médio e mulheres na faixa dos 20, que no Japão costumam se comunicar com mensagens de celular lidas na telinha no trajeto para a escola ou trabalho, ou em casa.
Embora muitos leitores baixem as histórias no celular em capítulos, cada vez mais os romances são lidos na própria Internet, em geral gratuitamente. O site de romances de celular Maho i-Land, que iniciou a febre há sete anos, hoje tem 6 milhões de membros e oferece aos visitantes 1 milhão de títulos.
Frases curtas
Como têm muitos diálogos e parágrafos brevíssimos para se acomodar ao tamanho da tela do celular, as histórias curtas não são vistas com bons olhos por autores tradicionais, que reclamam de falta de ambientação dos enredos, da precária descrição das cenas ou do fraco desenvolvimento de personagens. Além disso, elas chegam à telinha sem passar pelo escrutínio de editores.
Mas isso pode mudar aos poucos, com a criação de concurso para premiar os autores do novo gênero. O "Prêmio para Romances de Celular do Japão" foi lançado no ano passado pelo jornal Mainichi, um dos maiores do país, em colaboração com a Starts, uma editora de pequeno porte de Tóquio.
Estudo holandês relaciona substância em alimentos cozidos com câncer
Londres, 3 dez (EFE).- Um estudo holandês que contou com a participação de mais de 120 mil pessoas - a metade delas mulheres - estabeleceu uma relação direta entre o consumo de acrilamida, composto que se forma ao aquecer a comida, e a incidência do câncer de ovário e útero.
A acrilamida é encontrada nos alimentos processados ou cozidos, como pão, cereais matinais, café, carne e batatas fritas ou assadas.
O estudo holandês, publicado na revista especializada "Cancer Epidemiology, Biomarkers and Prevention" e apresentado hoje no jornal britânico "The Daily Telegraph", indica que as mulheres que ingerem muita acrilamida têm duas vezes mais chances de desenvolver esse tipo de câncer que as outras.
O excesso de acrilamida, que duplica a incidência do câncer, equivale à ingestão diária de um pacote de batatas fritas ou de meio pacote de biscoitos por dia, afirma o estudo, realizado por uma equipe da Universidade de Maastricht.
Os especialistas recomendam consumir alimentos cozidos em casa, que normalmente contêm quantidades muito inferiores dessa substância que os produtos processados, a comida que se serve nos estabelecimentos de fast-food e em outros tipos de restaurantes.
O novo estudo é publicado um mês depois de as autoridades da Agência de Padrões Alimentícios do Reino Unido alertarem que a ingestão de presunto e bacon pode levar ao câncer.
O estudo holandês contou com a participação de 120 mil pessoas, das quais 62 mil eram mulheres (com idades entre 55 e 70 anos), cuja evolução foi acompanhada durante onze anos.
Os pesquisadores descobriram que as mulheres que tinham consumido uma média diária de 40 miligramas de acrilamida - o equivalente a um pacote de 32 gramas de batatas fritas - tinham o dobro de chances de
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desenvolver os dois primeiros tipos de câncer.
Janneke Hogervorst, do Departamento de Epidemiologia da Universidade de Maastricht, disse que se tratava do primeiro estudo que analisava a possível relação entre a acrilamida e o câncer.
No entanto, Hogervorst alertou que é importante que os resultados sejam confirmados por outros estudos antes de chegar a conclusões definitivas.
A Agência de Padrões Alimentícios do Reino Unido aconselha aos cidadãos incluir menos frituras em suas dietas, substituí-las por frutas e verduras e evitar, por exemplo, que batatas e outros alimentos fiquem por muito tempo na frigideira.
Embora as pessoas cozinhem cada vez menos em casa, a popularidade crescente da fast-food indica um aumento na quantidade consumida da acrilamida.