Categoria: Literatura
Escrito por Mariangela às 15h30
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ARROGÂNCIA


Um calouro muito arrogante, que estava assistindo a um jogo de futebol, tomou para si a responsabilidade de explicar a um senhor já maduro, próximo dele, por que era impossível a alguém da velha geração entender esta geração.

'Vocês cresceram em um mundo diferente, um mundo quase primitivo', o estudante disse alto e claro de modo que todos em volta pudessem ouvi-lo.

'Nós, os jovens de hoje, crescemos com televisão, aviões a jato, viagens espaciais, homens caminhando na Lua, nossas espaçonaves tendo visitado Marte. Nós temos energia nuclear, carros elétricos e a hidrogênio, computadores com grande capacidade de processamento e ....,' numa pausa para tomar outro gole de cerveja.

O senhor se aproveitou do intervalo do gole para interromper a liturgia do estudante em sua ladainha e disse:

- 'Você está certo, filho. Nós não tivemos essas coisas quando nós éramos jovens... por isso nós as inventamos. E você, um bostinha arrogante dos dias de hoje, o que você está fazendo para a próxima geração?'

Foi aplaudido ruidosamente
.



Categoria: humor
Escrito por Mariangela às 20h35
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Bruna Lombardi no Mais Você

http://maisvoce.globo.com/variedades.jsp?id=11863

Além de linda, Bruna Lombardi é inteligente e talentosa. Ela está no filme "O Signo da Cidade", que estréia em circuito nacional no dia 25 de janeiro. Ela contou no Mais Você que todas as sessões paulistanas deste dia serão a um real, em comemoração ao aniversário de São Paulo.

O filme também tem o roteiro de Bruna e é dirigido pelo marido, Carlos Alberto Ricelli. No elenco estão também Juca de Oliveira, Malvino Salvador, Graziela Moreto. Também faz uma participação Kim, fikho do casal.

Bruna Lombardi declamou no programa um poema de sua autoria, que também está no filme "Signo da Cidade":

Poema de Sombra
Se perdem gestos, cartas de amor, malas, parentes
Se perdem vozes, cidades, países, amigos
Romances perdidos, objetos perdidos, histórias se perdem.

Se perde o que fomos e o que queríamos ser.
Se perde o momento, mas não existe perda, existe movimento.



Categoria: Literatura
Escrito por Mariangela às 23h06
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O jornalismo literário está vivo e forte. No lugar certo: os livros



Carlos Chaparro (*)

O XIS DA QUESTÃO O I Salão Nacional do Jornalista Escritor foi emocionante e grandiosa demonstração de que o jornalismo literário não morreu. Ao contrário: está aí vivo, no lugar certo, em estantes de livrarias, exuberante na quantidade impressionante de bons livros-reportagem e ótimas biografias - obras jornalísticas tão inseridos na dinâmica da atualidade quanto os contundentes noticiários do dia-a-dia.

1. A vitória da guerra...

Sempre que ouço lamentos em torno daquilo que alguns consideram “o desaparecimento do jornalismo literário”, vem-me à lembrança um belo texto de Ramalho Ortigão, publicado creio que em 1856 em certo periódico do Porto, no qual o amigo e colega de letras de Eça de Queiroz lamentava a morte do gênero Folhetim. Fazia-o em jeito de predição: “A guerra expulsa o folhetim das páginas dos jornais” escrevia ele – e peço desculpas pela ousadia das aspas em citação feita de memória, já que o livro onde li a crônica de Ramalho Ortigão não está mais comigo; ofereci-o, já lá se vão anos, à minha amiga e colega de USP Terezinha Tagé Dias Fernandes, uma das teóricas brasileiras que melhor percorre os espaços de interação entre jornalismo e literatura.

Mas voltemos aos lamentos de Ramalho Ortigão, que anunciou a morte do folhetim. Tal como Eça, Ramalho ocupava espaço e função de cronista na imprensa lusitana, na prática rebelde da crítica aos costumes, modismos e poderes conservadores do seu tempo. Nessa arte, a de cronista, foi quase tão bom quanto Eça no uso mordaz da ironia, em cruzamentos ora com o humor ora com a amargura. E ao atribuir às guerras da época a causa do encolhimento progressivo do espaço concedido pelos jornais às tramas de folhetim, o cronista reconhecia, a seu modo, que o núcleo vital do jornalismo é a narração da atualidade, não a liberdade ficcional da literatura. Por essa, e não por qualquer outra razão, a guerra expulsou dos jornais o folhetim, mas não conseguiu expulsar a crônica.

2. No curso da História

A História nos ensina que todas as razões de ser e evoluir do jornalismo estão vinculadas à atualidade, isto é, aos atos e fatos da vida real das pessoas, e às suas circunstâncias, na dimensão do presente. Depois de Gutenberg, mas ainda nos idos tempos das velhas monarquias, em que os senhores da terra, do ouro e do gosto eram também donos dos súditos, os pobres e os fracos nem pessoas eram. E nos espaços impressos de um jornalismo que se manifestava em artigos, brigavam entre si os ilustres senhores das elites - às vezes por boas e históricas causas, diga-se de passagem.

Depois, no decorrer dos anos, a experiência humana de viver expandiu fronteiras e lutas pela afirmação da dignidade humana, nos cenários político-sociais. E na sábia combinação entre avanços civilizatórios e avanços técnico-científicos, o jornalismo foi crescendo e evoluindo, tanto em importância como espaço público dos conflitos, quanto em eficácia como linguagem de relato e comentário dos acontecimentos relevantes da atualidade.

Assim, o articulismo , que reinou absoluto até meados do século XIX, teve de ceder espaço à rapidez da notícia, e ao seu poder de interferência na realidade, depois que o telégrafo viabilizou as agências noticiosas, nas quais se inventaram e universalizaram formas (estilísticas e técnicas) de informar com precisão e rapidez, superando distâncias. E o vigor político-social da notícia se tornou decisivo nas sociedades modernas, depois que a invenção quase simultânea da rotativa, da linotipo, da fotografia e da clicheria tornou possível o aumento das tiragens dos jornais em escala industrial e o desenvolvimento das linguagens gráficas.

A notícia chegava assim cada vez mais longe, e mais rapidamente, adequando-se ao ritmo vital da atualidade. Ao mesmo tempo, dialeticamente, o jornalismo impunha à atualidade o ritmo da própria notícia. E isso se dava no âmago das lutas que elaboravam os avanços civilizatórios, manifestados em formas de organização democrática aperfeiçoadas por ideários gerados nos mecanismos político-culturais.

Na criativa combinação entre os avanços democráticos e o ininterrupto surgimento de novas tecnologias de comunicação, o jornalismo aumentou e aperfeiçoou, progressivamente, a sua capacidade de responder às novas e crescentes demandas sociais por informação, debate e explicação. Assim surgiram a reportagem e a entrevista, no final do século XIX; assim se desenvolveu a reportagem em suas diversas espécies, ao longo do século XX, incluindo-se aí a grande reportagem da guerra e do pós-guerra. Sempre inserida na dinâmica da atualidade..E com espaços e liberdades para um jornalismo de autor.

3. Cada arte no seu galho...

Claro que esse processo teve fases de crise. Numa delas, quando o fascínio da televisão parecia ameaçar o futuro dos jornais, ocorreu o tal fenômeno do “jornalismo literário”. Grandes escritores, já consagrados, e grandes jornalistas com vocação e talento de escritores, passaram a dispor de espaços generosos, para oferecer ao público prazeres de leitura antes só acessíveis a quem podia ler livros.

O fenômeno durou poucos anos, porque logo se descobriu que o espaço da literatura está nos livros, não nos jornais. E ainda bem que assim foi. Porque o tal “jornalismo literário”, expulso dos jornais em plena aurora da sociedade informacional, explode hoje em livros importantes assinados por jornalistas escritores.

A verdade é simples e está aí, aos olhos de quem quiser ver: o jornalismo literário passou verdadeiramente a existir depois que saiu das limitações dos jornais e ganhou as liberdades estilísticas e espaciais do livro.

O I Salão Nacional do Jornalista Escritor foi emocionante e grandiosa demonstração de que o jornalismo literário não morreu. Ao contrário: está aí vivo, no lugar certo, em estantes de livrarias, exuberante na quantidade impressionante de bons livros-reportagem e ótimas biografias, em obras jornalísticas tão inseridos na dinâmica da atualidade quanto os contundentes noticiários do dia-a-dia.

Quanto à bobagem de se dizer que só o “jornalismo literário” tem a dignidade e a arte do bom texto, é apenas isso, uma bobagem. Textos bons e ruins existem em todos os formatos e estilos. No jornalismo da cobertura e do debate dos fatos como em não poucas obras ditas literárias, que circulam por aí em formato de livro.

O jornalismo de relato e comentário do dia-a-dia é tão indispensável  que até o jornalismo literário – o verdadeiro, esse que o Salão Nacional do Jornalista Escritor mostrou e debateu – precisa dele, para nele divulgar, debater e promover suas obras. E os jornalistas escritores sabem muito bem que o percurso do sucesso inclui a notícia, a resenha crítica e as entrevistas com o autor ...

******

A propósito, acabei de ler o belo, premiado e bem divulgado livro O Chão de Graciliano, de Audálio Dantas (texto) e Tiago Santana (fotos). Na próxima semana escreverei sobre essa obra. Sem fazer jornalismo literário. Mas tentando escrever corretamente, com a clareza e a precisão que se espera de qualquer texto jornalístico. E com a beleza que os meus limites permitirem.

(*) Manuel Carlos Chaparro é doutor em Ciências da Comunicação e professor livre-docente (aposentado) do Departamento de Jornalismo e Editoração, na Escola de Comunicações e Artes, da Universidade de São Paulo, onde continua a orientar teses. É também jornalista, desde 1957. Com trabalhos individuais de reportagem, foi quatro vezes distinguido no Prêmio Esso de Jornalismo. No percurso acadêmico, dedicou-se ao estudo do discurso jornalístico, em projetos de pesquisa sobre gêneros jornalísticos, teoria do acontecimento e ação das fontes. Tem quatro livros publicados, sobre jornalismo. E um livro-reportagem, lançado em 2006 pela Hucitec. Foi presidente da Intercom, entre 1989-1991. É conselheiro da ABI em São Paulo e membro do Conselho de Ética da Abracom.


Interpretação de texto

Vestibular da Universidade da Bahia cobrou dos candidatos a interpretação do seguinte trecho de poema de Camões:


'Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói e não se sente,
é um contentamento descontente,
dor que desatina sem doer'.

Uma vestibulanda de 16 anos deu a sua interpretação:

'Ah! Camões, se vivesses hoje em dia,
tomavas uns antipiréticos,
uns quantos analgésicos
e Prozac para a depressão.
Compravas um computador, consultavas a internet

e descobririas que essas dores que sentias,
esses calores que te abrasavam,
essas mudanças de humor repentinas,
esses desatinos sem nexo,
não eram feridas de amor,
mas somente falta de sexo!'


Ganhou nota dez. Foi a primeira vez que, ao longo de mais de 500 anos, alguém desconfiou que o problema de Camões era falta de mulher...



Categoria: Literatura
Escrito por Mariangela às 19h20
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