Os japoneses adoram peixe fresco. Porém, as águas perto do Japão não produzem muitos peixes há décadas. Assim, para alimentar a sua população, os japoneses aumentaram o tamanho dos navios pesqueiros e começaram a pescar mais longe do que nunca. Quanto mais longe os pescadores iam, mais tempo gastavam para o peixe chegar. Se a viagem de volta levasse mais do que alguns dias, o peixe já não era mais fresco.
E os japoneses não gostaram do gosto daqueles peixes. Para resolver este problema, as empresas de pesca instalaram congeladores em seus barcos. Eles pescavam e congelavam os peixes em alto-mar. Os congeladores permitiram que os pesqueiros fossem mais longe e ficassem em alto mar por muito mais tempo.
Entretanto, os japoneses conseguiram notar a diferença entre peixe fresco e peixe congelado, e, é claro, eles não gostaram do peixe congelado.O peixe congelado, porém, tornou os preços mais baixos. Então as empresas de pesca instalaram tanques de peixe nos navios pesqueiros. Eles podiam pescar e enfiar esses peixes nos tanques, como sardinhas. Depois de certo tempo, pela falta de espaço, os peixes paravam de se debater e não se moviam mais. Eles chegavam cansados e abatidos, embora, vivos.
Os japoneses ainda podiam notar a diferença no sabor. Por não se mexerem por dias, os peixes perdiam o gosto de frescor. Os japoneses preferiam o gosto de peixe fresco e não o gosto de peixe apático.
Então, como os japoneses resolveram este problema?
Como eles conseguiram levar aos consumidores peixes com gosto de puro frescor ?
Se nós estivéssemos trabalhando em consultoria para as empresas de pesca, o que recomendaríamos?
Quando as pessoas atingem seus objetivos, tais como, quando encontram um(a) namorado(a) maravilhoso(a), começam com sucesso numa empresa nova, pagam todas as suas dívidas ou o que quer que seja, elas podem perder as suas paixões.
Elas podem começar a pensar que não precisam mais trabalhar tanto, se dedicarem tanto, então relaxam. Elas passam pelo mesmo problema que os ganhadores de loteria que gastam todo seu dinheiro, o mesmo problema de herdeiros que nunca trabalharam e de donas de casa, entediadas, que ficam dependentes de remédios de tarja preta.
Para essas situações, inclusive no caso dos peixes dos japoneses, existe solução. L. Ron Hubbard observou no começo dos anos 50. "O homem progride, estranhamente, somente perante a um ambiente desafiador". Quanto mais inteligente, persistente e competitivo somos, mais gostamos de um bom problema. Se nossos desafios estão em um determinado tamanho e conseguimos, passo a passo, conquista-los, ficamos muito felizes. Pensamos em novos desafios e nos sentimos com mais energia.
Ficamos excitados em tentar novas soluções. Nos divertimos. Permanecemos vivos!
Para conservar o gosto de peixe fresco, as empresas de pesca japonesas, ainda colocam os peixes dentro de tanques. Mas, eles também adicionam um pequeno tubarão em cada tanque. O tubarão come alguns peixes, mas a maioria dos peixes chega "muito vivo".
Os peixes são desafiados!
Portanto, ao invés de evitar desafios, devemos pular dentro deles.
Massacremo-los. Se nossos desafios são muito grandes e numerosos, não devemos desistir e, isto sim, nos reorganizar buscando mais determinação, mais conhecimento e mais ajuda.
Se alcançamos nossos objetivos, buscamos objetivos maiores. Uma vez que nossas necessidades pessoais ou familiares forem atingidas , vamos ao encontro dos objetivos do nosso grupo, da sociedade e até mesmo da humanidade.
Devemos criar o nosso sucesso pessoal e não se acomodar nele. E, com recursos, habilidades e destrezas, fazer a diferença.
Vamos por um tubarão em nossos tanques e observar quão longe, realmente, podemos chegar.
Somos obrigados a acordar conosco, todos os dias de manhã...
E, como vamos fazer isto pelo resto das nossas vidas, é melhor que façamos com prazer.
Seus Malabarismos Mágicos Manipulam Marionetes. Meninas, Mães, Madres, Marquesas e Ministras. Madalenas ou Marias.
Marinas ou Madonas. Elas são Manhãs e Madrugadas. Mártires e Massacradas. Mas sempre Maravilhosas, essas Moças Melindrosas. Mergulham em Mares e Madrepérolas, em Margaridas e Miosótis. E são Marinheiras e Magníficas. Mimam Mascotes. Multiplicam Memórias e Milhares de Momentos. Marcam suas Mudanças. Momentâneas ou Milenares, Mudas ou Murmurantes, Multicoloridas ou Monocromáticas, Megalomaníacas ou Modestas, Musculosas, Maliciosas, Maquiadoras, Maquinistas, Manicures, Maiores, Menores, Madrastas, Madrinhas, Manhosas, Maduras, Molecas, Melodiosas, Modernas, Magrinhas. São Músicas, Misturas, Mármore e Minério. Merecem Mundos e não Migalhas. Merecem Medalhas. São Monumentos em Movimento, esses Milhões de Mulheres Maiúsculas.
Todo início de ano é sempre igual. Aproveitamos todos para fazer um balanço da vida, verificar os ativos e passivos e planejar o ano vindouro, cheios de expectativas de que esse, sim, será o grande ano de nossas vidas. Nos programamos para consertar tudo o que está errado e juramos, em nome da nossa felicidade, não perder mais tempo com bobagens e realmente investir energia somente naquilo que vale a pena. O tempo vai passando, a vida vai seguindo e quase sempre percebemos que nada, nenhum plano, nenhum projeto, saiu do papel. Os grandes sonhos, as vontades mais ferrenhas, nada disso jamais aconteceu. Nos damos conta de que somos pessoas que potencialmente podem ser e fazer tudo, mas algumas coisas simplesmente parecem não terem sido feitas para nós. Sentimos que a vida talvez não passe de um amontoado de promessas não cumpridas, e essa impressão quase sempre vem acompanhada do conhecido sabor amargo da frustração. Será mesmo?
Pouco tempo antes da virada do ano recebi de minha mãe um desses e-mails com um título meloso, que eu normalmente descarto automaticamente porque não tenho paciência para correntes, histórias de visões fantásticas e ameaças de que o mundo vai acabar. Mas esse era diferente – afinal, foi encaminhado por minha mãe, uma pessoa bastante cética quanto aos assuntos do além e criteriosa na seleção de e-mails que espalha entre seus contatos. A mensagem era linda, e certamente muitos a receberam também: falava do poder das pequenas mudanças na vida, do quanto precisamos aproveitar o tempo que temos para corrigir o curso dos fatos, do quanto somos responsáveis por nosso próprio destino. É claro que ninguém sabe se as coisas vão melhorar se nós mudarmos, mas é certo que, para que elas efetivamente melhorem, nós não podemos escapar daquilo que é novo.
Me convenci que a chave, a resposta, opulo do gatoestava justamente aí.
Se fazemos tudo exatamente igual, todos os dias, por anos e anos, como esperar alguma reviravolta radical em nossas vidas? Como podemos ser tão ingênuos a ponto de pensar que, repetindo mecanicamente nossas atitudes, algo ou alguém vai tomar a frente de nossas vidas e colocá-la nos trilhos, em nosso lugar?
Ter fé na vida e pedir ao universo uma forcinha para que nossos sonhos aconteçam pode parecer razoável para quem acredita no sobrenatural. Eu prefiro acreditar que a vida conspira em favor daqueles que têm atitude e se esforçam por fazer acontecer. Afinal, os problemas e as dificuldades não vão desaparecer sozinhos pelo simples fato de fazermos de conta de que eles não existem – ou, pior ainda, por acharmos que a responsabilidade por sua solução nos escapa e depende de intervenção divina.
Essa ideia de coragem de mudar me lembra muito alguns trechos do meu mais recente livro de cabeceira. Chama-se “A cura de Schopenhauer”, de Irvin Yalom, um psiquiatra dedicado a escrever brilhantes histórias de ficção filosófica. Uma das passagens mais impactantes dessa obra é aquela em que o personagem principal, desesperado com as surpresas de uma dura guinada em sua vida, busca qualquer tipo de consolo em suas leituras. Reencontra um certo livro em que o autor, filósofo reconhecido, defende a tese de que devemos reverenciar e celebrar a vida, assumindo as rédeas de nossa existência e deixando de lado o conformismo de aceitar uma vivência feita de episódios que “foram assim” para viver uma vida de “eu quis assim”.
É preciso desejar firmemente governar nossas vidas e entender que somos os seus protagonistas, e não coadjuvantes. Nós decidimos o nosso destino. Temos que usufruir, e não sermos usufruídos pela vida. Viver desse jeito, passivamente, é apenas passar pela vida. Precisamos amar nosso destino e, de tempos em tempos, refletir se a vida que levamos é tão boa que, se pudéssemos, escolheríamos vivê-la repetidamente por toda a eternidade. Essa é a referência de que estamos no caminho certo: viver de modo a querer a mesma vida sempre e sempre.
Quando começamos a encarar a vida como responsabilidade nossa, unicamente nossa, percebemos porque não podemos nos dar ao luxo do desperdício de tempo. Mesmo quem acredita que a vida se repete-repete-repete em outras existências não pode cometer a heresia de desperdiçar a maravilhosa oportunidade de existir agora. Quando nos damos conta de que o dia de hoje nunca vai se repetir, que nós jamais seremos outra vez as pessoas que fomos até o segundo passado, fica claro que não há mesmo tempo a perder. O compromisso maior da vida é conosco. Nada, nem casamento, trabalho, filhos, família, nada disso é tão poderoso e suficiente a ponto de suprir nossas necessidades mais íntimas de auto-realização.
Escolher mudar é fácil; implementar a mudança é que é difícil. Talvez a tarefa fique menos árdua se, a cada trecho percorrido, pudermos parar e nos consultar: é essa a vida que eu quero para sempre? Se não, mãos à obra. O amanhã pode nem chegar, mas um primeiro passo dado em direção aos objetivos de vida é a certeza de que estamos trabalhando em nosso favor, e não contra.
por Stephen Kanitz
A escolha de uma profissão é o primeiro calvário de todo adolescente. Muitos
tios, pais e orientadores vocacionais acabam recomendando "fazer o que se
gosta", um conselho confuso e equivocado.
Nenhuma empresa paga profissional para fazer o que os funcionários gostam, que
normalmente é jogar futebol, ler um livro ou tomar chope na praia. Justamente,
paga-se um salário para compensar o fato de que o trabalho é essencialmente
chato.
Mesmo que você ache que gosta de algo no início de uma carreira, continuar a
gostar da mesma coisa 25 anos depois não é tão fácil assim. Os gostos mudam,
e aí você muda de profissão em profissão?
As coisas que eu realmente gosto de fazer, eu faço de graça, como organizar
o Prêmio Bem Eficiente; ou faço quase de graça, como escrever artigos para
a imprensa.
Eu duvido que os jogadores profissionais de futebol adorem acordar às 6
horas todo dia para treinar, faça sol, faça chuva. No fim de semana eles
jogam bilhar, não o futebol que tanto dizem adorar. O "ócio criativo", o
sonho brasileiro de receber um salário para "fazer o que se gosta", somente
é alcançado por alguns professores de filosofia que podem ler o que gostam
em tempo integral. Nós, a grande maioria dos mortais, teremos que trabalhar
em algo que não necessariamente gostamos, mas que precisará ser feito. Algo
que a sociedade demanda.
Toda semana recebo jovens que querem trabalhar na minha consultoria
num projeto social. "Quero ajudar os outros, não quero participar deste
capitalismo selvagem".
Nestes casos, peço para deixarem comigo seus sapatos e suas meias, e voltarem
a conversar comigo em uma semana. Normalmente nunca voltam, não demora
mais do que 30 minutos para a ficha cair. É uma arrogância intelectual que
se ensina nas universidades brasileiras e um insulto aos sapateiros e aos
trabalhadores dizer que eles não ajudam os outros. O que seria de nós se
ninguém produzisse sapatos e meias, só porque alguns membros da sociedade
só querem "fazer o que gostam?"
Quem irá retirar o lixo, que pediatra e obstetra atenderá você às 2 da
madrugada? Vocês acham que médicos e enfermeiras atendem aos sábados e
domingos porque gostam?
Felizmente para nós, os médicos, empresas, hospitais e entidades beneficentes
que realmente ajudam os outros, estão aí para fazer o que precisa ser feito,
aos sábados, domingos e feriados. Eu respeito muito mais os altruístas que
fazem aquilo que precisa ser feito, do que os egoístas que só querem "fazer
o que gostam".
Teremos então que trabalhar em algo que odiamos, condenados a uma vida
profissional chata e opressora?
A saída é aprender a gostar do que você faz, em vez de gastar anos a fio
mudando de profissão até achar o que você gosta. E isto é mais fácil do
que você pensa. Basta fazer o seu trabalho com esmero, um trabalho super
bem feito. Curta o prazer da excelência, o prazer estético da qualidade e
da perfeição.
Se quiser procurar algo, descubra suas habilidades naturais, que permitirão
fazer seu trabalho com distinção e que o colocarão à frente dos demais.
Sempre fui um perfeccionista. Fiz muitas coisas chatas na vida, mas sempre
fiz questão de fazê-las bem feitas. Sou até criticado por isto, demoro demais,
vivo brigando com quem é medíocre, reescrevo estes artigos umas 40 vezes para
o desespero dos editores, sou super exigente, comigo e com os outros. Hoje,
percebo que foi este perfeccionismo que me permitiu sobreviver à chatice da
vida, que me fez gostar das coisas chatas que tenho de fazer.
Se você não gosta do seu trabalho, tente fazê-lo bem feito. Seja o melhor
na sua área, destaque-se pela sua precisão. Você será aplaudido, valorizado,
procurado e outras portas se abrirão. Você vai começar a gostar do que faz,
vai começar até a ser criativo, inventando coisa nova, e isto é um raro prazer.
Faça o seu trabalho mal feito e você estará odiando o que faz, a sua empresa,
o seu patrão, os seus colegas, o seu país e a si mesmo. Esta é na minha
opinião, o problema número 1 do Brasil. Fazemos tudo mal feito, fazemos o
mínimo necessário, simplesmente porque não aprendemos a gostar do que temos
de fazer e não realizamos tudo bem feito, com qualidade e precisão.
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Esta mensagem pode ser encontrada no site "Contando Histórias",
no endereço http://www.contandohistorias.com.br/historias/2006246.php
Nunca invejei Santo Agostinho pela sua salvação. Não conseguiria repeti-lo. Guarda-se a impressão de que ele quis se livrar da danação no ombro do Pai. Olhando de perto, ele foi mais corajoso do que conformista. Antecipou o inferno aqui. Não esperou para sofrer na outra dimensão. Pagou à vista o inferno. Converter não é encontrar Deus, é encontrar o inferno.
Blog traduz uma prova de resistência. Um big brother ao avesso dos gêneros literários. Ao invés de ser conhecido, corresponde a um mergulho adoidado no anonimato. Distinto da noção do senso comum de que se trata de um lugar para aparecer. O resultado final (a possível badalação de um endereço virtual) não expõe a realidade. Os exibidos foram antes tímidos, os extrovertidos foram antes introvertidos. É a mais dolorida experiência editorial. O mais severo teste vocacional. Uma ferramenta do diabo, capaz de sugar sua vida ou sua aspiração.
Indica a fronteira entre o amador e o escritor, entre o diletante e o renitente, entre o curioso e quem não consegue se afastar da compulsão narrativa. O amador cansará nos primeiros meses. Vai deduzir que não vale a pena o trabalho, que ninguém lê. Uma tortura postar textos durante três meses e não receber nenhum comentário.
São os quarenta dias do deserto, com as tentações sobrevoando o teclado.
"Então Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto para ser tentado pelo demônio e, tendo jejuado quarenta dias e quarenta noites, teve fome" Mateus, versículo 4, 1:
Você pensou que aquilo seria a glória instantânea. Caprichou na redação, no humor e nas perspectivas singulares de captura do cotidiano. Mas o único que entra no site é você. Trinta vezes ao dia. Chega a esbarrar consigo entre tantos acessos e atualizações. Uma miragem. Cada texto é um quarto vago. O demo do reconhecimento insiste em tomar seu lugar. Procura contornar o drama. Manda um aviso de postagens para os amigos. Prepara uma festa-surpresa de aniversário, com o atrativo de que é o aniversariante quem a organiza. Continua sendo surpresa; nenhuma alma comparece. Daí manda um aviso de postagens para os desconhecidos, catando endereços aleatórios. Nada mais o separa de um SPAM. Recebe avisos ásperos: “não o conheço” ou “favor me excluir da lista”. A humilhação não começou. O desespero o obriga a fazer atos impensáveis: entrar de computadores diversos para fazer com que o contador se mexa de alguma forma. Assim como um atacante chuta a bola para as redes alheio á marcação do impedimento. Para se livrar do azar. Ainda que esteja quebrando uma das regras básicas do jogo e leve um cartão amarelo. Não há nem juiz para lhe dar cartão amarelo.
Percebe que lançou um texto com um erro gravíssimo de português. Estava na rua quando lembrou a indecisão ortográfica, longe de qualquer terminal. Foi observando um outdoor. Corre para uma lan house, consome seu suspiro sem sentir o gosto, arruma e conclui que tampouco alguém reparou.
Decide escrever qualquer coisa que continuará sendo qualquer coisa. O isolamento do blog produz alucinações. O contador de visitas parece uma bomba-relógio: anda para trás.
Mas tortura é quando finalmente recebe um comentário. Alegria aflita para abrir a janela, quem será? quem será?, descobre que partiu do pai ou da mãe, solidário com sua desgraça. Não pode comemorar, agora intui que seu pai ou sua mãe conhecem o fracasso de sua rotina.
Sua personalidade passará a se dividir, e não multiplicar como desejava. Sede de laranjas. Laranjas! Sem pudor, cria pseudônimos para deixar comentários (o blog, pelo menos, obriga que seja seu próprio leitor). Diverte-se no sofrimento ao inventar formas de agradecimento pelos textos. Não economiza elogios ao estilo. Estará perto da internação quando se convence de que aqueles comentários não são seus e ainda responde aos e-mails falsos. Hora do soro!
Depois de postar, o autor perde a privacidade para se tornar - teoricamente - domínio público. Mas não saiu do caramujo do quarto, e entenderá que escrever e ser conhecido não acontece simultaneamente.
Há a idéia equivocada de que todos os leitores do mundo estão esperando sua publicação, que basta acenar para a luz do sol que imediatamente será linkado, sugerido, alardeado. Ao deixar minha casa, não recebo nenhuma proposta sedutora no caminho. Nunca encontrei nenhum editor no metrô. O que me leva a constatar que o blog é o metrô da internet.
Escrever na rede é uma tentativa de suicídio, chamar atenção dos outros para a nossa carência. Um aviso escandaloso da nossa fragilidade. Pensando bem: publicar é um suicídio frustrado. Quando o ímpeto de sair da vida é usado para entender a própria vida e as dificuldades enfrentadas pelos demais autores.
Uma das virtudes do blog é justamente sua provação. Agüentar os contratempos no osso. Ver que não é um elogio que o fará continuar, muito menos uma crítica que o fará desistir. Que nascer para a letra é amar a insuficiência. O escritor se sucede progressivamente. Melhora. Estar sozinho é ainda estar povoado. Povoado por dentro. Pelos personagens, pelas histórias familiares, pela observação aprofundada dos seus arredores. Só quem foi fantasma um dia poderá alimentar seus fantasmas.
Procura-se um reconhecimento externo e encontra-se algo mais preciso: a afirmação pessoal na persistência. Procura-se lá fora o que já se tinha. Como diz Santo Agostinho:
“Tarde Vos amei, ó Beleza tão antiga e tão nova, tarde Vos amei! Eis que habitáveis dentro de mim.”
O esforço de sair da solidão ajuda curiosamente a fortalecê-la. Compreende que não escreve para completar um diário, ou para repetir sua história, se fosse assim não contaria com assunto para atualização semanal, mesmo que desfrutasse de uma trajetória acidentada e heróica como a de Hemingway.
Escreve para duvidar e se banhar na luminosidade da confusão biográfica. Acima de tudo, compreende que a imaginação não julga como a memória. Que imaginar é delicioso, imaginar: uma memória sem culpa.
Um texto postado é como um texto impresso. Mais fácil para localizar os erros, os tropeços, formar distanciamento. Confere uma maioridade na escrita, reforça uma postura profissional de jardinar e cuidar do verbo, de alterar a prosa e a poesia em nome da transparência e da fluidez. Há a formação gradual de uma assinatura, transmitindo uma visão de ser responsável por aquilo que se diz, de assumir honestamente as dívidas da boca. Organiza-se o rascunho, que é bem mais duro do que redigi-lo.
Não é fácil a rotina da blogosfera. Terá que superar vários fins, várias negativas, várias mortes. Superar a expectativa de fama pelo prazer do texto.
Por isso, o prazer necessita ser mais forte do que a dor. O masoquista é o que gosta mais do sofrimento do que da carícia. O blogueiro é o que esquece a ferida pela alegria.
A diferença entre guardar o inédito no blog e na gaveta: o blog é uma gaveta aberta.
[Publicado no caderno Cultura, do jornal O Estado de S. Paulo]
Clarice Lispector, apesar de ter se formado em direito, nunca advogou, sobreviveu como jornalista, escrevendo para diversos jornais e revistas. Sua primeira reportagem, “Onde se ensinará a ser feliz”, foi publicada em 19 de janeiro de 1941, no Diário do Povo, de Campinas (SP), relatando a visita da primeira-dama da República, Darcy Vargas, a um orfanato feminino. No ano seguinte, ela começou a trabalhar como redatora de A Noite e obteve seu registro profissional como jornalista, profissão que exerceria até dois meses antes de falecer, com o hiato forçado pelo período em que viveu no exterior como esposa do diplomata Maury Gurgel Valente. Durante os anos 50 e 60, Clarice escreveu, sob os pseudônimos de Teresa Quadros, Helen Palmer e como ghost-writer da atriz e modelo Ilka Soares, respectivamente, para os jornais Comício, Correio da Manhã e Diário da Noite. Os textos tratavam do universo próprio das mulheres da época, dando dicas de economia doméstica, receitas culinárias, saúde e comportamento. Passada esta fase das colunas femininas de contingência – reunidas nos títulos Correio Feminino e Só para Mulheres, organizados por Aparecida Maria Nunes –, Clarice Lispector teve papel de destaque no Jornal do Brasil, onde foi colaboradora na mesma época que Carlos Drummond de Andrade, assinando uma crônica semanal aos sábados, entre agosto de 1967 e dezembro de 1973. Os textos foram reunidos em livro por seu filho, Paulo Gurgel Valente, em 1984, na coletânea A Descoberta do Mundo. Paralelamente, obteve, a partir de 1968, grande sucesso como entrevistadora. Na revista Manchete, onde assinava a rubrica “Diálogos Possíveis com Clarice” e, depois, na revista Fatos & Fotos, também pertencente à Editora Bloch, onde sua derradeira contribuição saiu em outubro de 1977, menos de três meses antes de sua morte, ocorrida em dezembro do mesmo ano. Colaborando ainda nesse seu último ano de existência com o jornal Última Hora, onde passara a publicar suas crônicas no mês de fevereiro. As entrevistas de Clarice foram coligidas nos livros De Corpo Inteiro e Entrevistas, ambos integrantes do catálogo da Editora Rocco. Dando prosseguimento ao resgate da obra jornalística de Clarice Lispector, a Editora Rocco lança Só para Mulheres – Conselhos, Receitas e Segredos, organizado por Aparecida Maria Nunes, doutora em literatura brasileira pela Usp. A nova coletânea recupera as colunas femininas assinadas pela escritora sob os pseudônimos de Tereza Quadros, Helen Palmer e Ilka Soares para os jornais Correio da Manhã, Diário da Noite e Comício, complementando a seleção reunida no livro Correio Feminino, lançado pela Rocco em 2006. Os textos possuem a elegância característica de Clarice e convidam o leitor para uma viagem no tempo em que se desenha, na forma de um variado almanaque, o rosto da mulher brasileira dos anos 50 e 60. De fato, a mulher para quem Clarice escreve nas páginas femininas dos jornais está em busca de seu próprio rosto. Um rosto que reflita beleza e doçura, qualidades sempre procuradas no ser feminino, mas que contenha também suas indagações sobre a educação dos filhos, a harmonia familiar, os cuidados domésticos, o comportamento social e a convivência amorosa, em meio às novidades de uma época marcada por mudanças. As colunas registram, assim, as preocupações da brasileira urbana de classe média, que começava a ensaiar também os primeiros passos na vida profissional, procurando facilitar a sua vida e ensinar pequenos truques que podem ajudá-la na árdua tarefa de encontrar-se a si mesma. Tudo isso num tom de conversa entre amigas, como prescreve o jornalismo feminino. Assim, receitas de máscaras de beleza caseiras, dicas de elegância no vestir, o aproveitamento de sobras de comida para a criação de novos pratos, soluções para pequenos problemas domésticos e receitas de drinques são apresentados por Clarice de forma calorosa, como segredos que só as mulheres conhecem. No mesmo tom de cumplicidade vêm os alertas para que as leitoras não se descuidem do peso, não se excedam na bebida, no cigarro e nem se deixem levar pela moda, muitas vezes inadequada à idade ou ao tipo físico de quem a usa. Para a “conselheira” Clarice, a forma mais eficiente de ser uma mulher atraente e bela é tirar partido de suas características particulares e realçá-las, em vez de simplesmente deixar-se levar pelos apelos da moda e correr o risco de se tornar uma cópia borrada das beldades da época: tentar usar o cabelo com o jeito “artisticamente desarrumado” de Brigitte Bardot, por exemplo, pode ser desastroso, alerta a colunista. Desta forma, tratando com habilidade e leveza os assuntos prosaicos do cotidiano feminino, Clarice Lispector está sempre conduzindo a leitora em sua busca pela própria face, e deixando entrever, em meio a conselhos aparentemente banais, a essência de uma mulher que buscou a si mesma incessantemente. Se as angústias e sofrimentos morais, tão presentes na literatura de Clarice, ficam de fora das colunas, que tratam mais objetivamente de questões do dia-a-dia, a escritora põe, aqui e ali, em seus pequenos conselhos, considerações que vão além do óbvio e mexem com o íntimo de cada leitora. Comentando as novidades da indústria cosmética na área de maquilagem para os olhos, por exemplo, Clarice pondera: “Para os olhos serem belos, não basta, porém, que sejam grandes, de um colorido especial ou maquilados com requinte. É preciso que neles haja algo mais. Pois, sendo os ‘espelhos da alma’, devem refletir doçura, compreensão, inteligência. Em resumo, mais importante do que os olhos é – o olhar.” É com seu olhar docemente indagador que Clarice Lispector se coloca na pele de Tereza Quadros, Helen Palmer e Ilka Soares e penetra no universo do jornalismo feminino com sutileza e elegância.
Por Ricardo Gomes Historiador e pesquisador cultural
Existem pessoas em nossas vidas que nos deixam felizes pelo simples fato de terem cruzado o nosso caminho.
Algumas percorrem ao nosso lado, vendo muitas luas passarem, mas outras apenas vemos entre um passo e outro. A todas elas chamamos de amigo.
Há muitos tipos de amigos. Talvez cada folha de uma árvore caracterize um deles. O primeiro que nasce do broto é o amigo pai e o amigo mãe. Mostram o que é ter vida.
Depois vem o amigo irmão, com quem dividimos o nosso espaço para que ele floresça como nós. Passamos a conhecer toda a família, a qual respeitamos e desejamos o bem.
Mas o destino nos apresenta outros amigos, os quais não sabíamos que iam cruzar o nosso caminho. Muitos desses são designados amigos do peito, do coração. São sinceros, são verdadeiros. Sabem quando não estamos bem, sabem o que nos faz feliz...
Às vezes, um desses amigos do peito estala o nosso coração e então é chamado de amigo namorado. Esse dá brilho aos nossos olhos, música aos nossos lábios, pulos aos nossos pés.
Mas também há aqueles amigos por um tempo, talvez umas férias ou mesmo um dia ou uma hora. Esses costumam colocar muitos sorrisos na nossa face, durante o tempo que estamos por perto.
Falando em perto, não podemos nos esquecer dos amigos distantes, que ficam nas pontas dos galhos, mas que quando o vento sopra, aparecem novamente entre uma folha e outra.
O tempo passa, o verão se vai, o outono se aproxima, e perdemos algumas de nossas folhas. Algumas nascem num outro verão e outras permanecem por muitas estações. Mas o que nos deixa mais feliz é que as que caíram continuam por perto, continuam aumentando a nossa raiz com alegria. Lembranças de momentos maravilhosos enquanto cruzavam o nosso caminho.
Desejo à você, folha da minha árvore, Paz, Amor, Saúde, Sucesso, Prosperidade. .. Hoje e Sempre...
Simplesmente porque: Cada pessoa que passa em nossa vida é única. Sempre deixa um pouco de si e leva um pouco de nós. Há os que levaram muito, mas não há os que não deixaram nada.
Esta é a maior responsabilidade de nossa vida e a prova evidente de que duas almas não se encontram por acaso.
Não há o que temer: Mulheres com juízo sempre encontraram homens com talento '
Herbert Vianna
'Cirurgia de lipoaspiração?'
Pelo amor de Deus, eu não quero usar nada nem ninguém,
nem falar do que não sei, nem procurar culpados,
nem acusar ou apontar pessoas, mas ninguém está percebendo
que toda essa busca insana pela estética ideal
é muito menos lipo-as e muito mais piração?
Uma coisa é saúde outra é obsessão.
O mundo pirou, enlouqueceu.
Hoje, Deus é a auto imagem.
Religião, é dieta. Fé, só na estética.
Ritual é malhação.
Amor é cafona, sinceridade é careta,
pudor é ridículo, sentimento é bobagem.
Gordura é pecado mortal. Ruga é contravenção.
Roubar pode, envelhecer, não.
Estria é caso de polícia.
Celulite é falta de educação.
Filho da puta bem sucedido é exemplo de sucesso.
A gostosona da TV tem muito mais consideração do que a que está ao seu lado? A mulher mais bonita do mundo é aquela que você escolheu e que te ama.
A máxima moderna é uma só: pagando bem, que mal tem?
A sociedade consumidora, a que tem dinheiro, a que produz,
não pensa em mais nada além da imagem, imagem, imagem.
Imagem, estética, medidas, beleza.
Nada mais importa.Não importam os sentimentos, não importa a cultura, a sabedoria,
o relacionamento, a amizade, a ajuda, nada mais importa.
Não importa o outro, o coletivo. Jovens não têm mais fé, nem idealismo, nem posição política.
Adultos perdem o senso em busca da juventude fabricada.
Ok, eu também quero me sentir bem, quero caber nas roupas,
quero ficar legal, quero caminhar, correr, viver muito, ter uma aparência legal
mas...
Uma sociedade de adolescentes anoréxicas e bulímicas,
de jovens lipoaspirados, turbinados, aos vinte anos não é natural.
Não é; não pode ser. Que as pessoas discutam o assunto.
Que alguém acorde. Que o mundo mude. Que eu me acalme...
Que o amor sobreviva. Pois esse sim, ninguém poderá mudá-lo; o amor será sempre naturalmente belo e verdadeiro.
'Cuide bem do seu amor, seja ele quem for'.
Herbert Vianna (Cantor e Compositor
O texto a seguir não fala especificamente de Propaganda, mas imagino que mostre com argumentos contundentes uma situação em que o preconceito mata a criatividade humana; no caso, comprometendo toda a criatividade potencial disponível em parcela indispensável da força de trabalho.
A criatividade, como já vimos, é, no final das contas, a principal matéria-prima da Propaganda. Então, o texto acaba sendo pertinente aos propósitos de muito daquilo de que este livro trata.
Como será fácil notar, foi escrito com outra intenção (e para publicação em outro lugar); mesmo assim, creio que o leitor poderá se beneficiar com alguns dos pontos de vista aí contidos, extrapolando algumas idéias para melhorar seu dia-a-dia.
A mais brilhante definição de preconceito de que já soube veio-me de Voltaire,
em seu Dicionário Filosófico: "preconceito é uma opinião sem julgamento",
ou seja, adquirimos uma opinião qualquer, não verificamos sua razão de ser
e passamos a acreditar naquilo, simplesmente. Voltaire disse isto por volta
de 1760. Passados mais uns cento e oitenta anos, em meados do século vinte
Einstein lastimou que "hoje, infelizmente, é mais fácil partir um átomo ao
meio do que quebrar um preconceito". Pois, somando-se as coisas, conclui-se
que preconceito deve realmente ser algo indestrutível, ou perto disso.
Tão indestrutível, que o preconceito dos nazistas contra os judeus ainda
perdura no coração de muita gente, mesmo após tanta propaganda contrária. E
dos judeus contra os árabes, e dos árabes contra os judeus, e dos brancos
contra os negros, e dos negros contra os brancos, e dos que são contra
os mulatos, contra os cafusos, os mamelucos, os letrados, os iletrados,
as mulheres, os homens, os advogados, os políticos, os publicitários, os
jornalistas, os nordestinos, os açougueiros, os torneiros-mecânicos (sim,
porque, sem dúvida, haverá alguém cultivando preconceitos contra açougueiros
e torneiros-mecânicos), os velhos, as crianças, os gays e o escambau. Existe
preconceito até contra o escambau.
Assim como não tem fronteiras e nem escolhe raça, faixa etária ou sexo, o
preconceito também não escolhe porta-vozes ou causas. Ele existe dentro de
todos nós, tem diferentes intensidades. Não tem função nem propósito. Apenas
existe, desde que o ambiente seja favorável ao desenvolvimento de um raciocínio
qualquer, um sofisma destes capazes de fazer-nos acreditar no ilógico. Algo
como a prestidigitação. Nada além de opiniões sem julgamento.
Nunca vi alguma pesquisa sobre onde o preconceito ocorre com maior ou menor
incidência. Talvez os americanos, que adoram pesquisar de tudo, já a tenham
feito, mas nunca ouvi falar dela. Mas também não é difícil concluir que
o preconceito não é privilégio de um ou outro segmento da população. Nada
disso. Ele existe em todo lugar, em todo tempo, em todo tudo! Tem em casa,
tem no futebol, tem nas estações de trem.
E tem, claro, nas empresas; porque existem pessoas nas empresas. E pessoas são
a única condição ambiental indispensável para a reprodução do preconceito. Nos
últimos anos surgiu, por exemplo, uma espécie de preconceito no meio
empresarial, mais especificamente na administração de recursos humanos,
que é a rejeição a priori do profissional com mais de quarenta anos de idade.
O quarentão, candidato a uma vaga qualquer, pode e deve desistir de antemão
à sua pretensão de colocação profissional. Ora, exatamente porque ele já tem
mais de quarenta anos. E o que isto significa? Nem Deus sabe. E, claro, muito
menos um certo tipo de recrutador: papagaio de repetição, este recrutador só
sabe que o candidato tem mais de quarenta anos e, por isso mesmo, não pode
ser contratado. É a política da empresa, ora! Mas se perguntarmos a razão
de ser desta política da empresa (ora!), ele, autômato burocratizado não
saberá responder. Basta que ele saiba, e isto o satisfaz plenamente, que a
política da empresa é esta. E ponto. Para ele, políticas empresariais são,
por definição, indiscutíveis (mas que cara teimoso você é! Pare de querer
discutir a política da empresa!).
Gente assim cabe com exatidão de mecanismo de relógio suíço na definição
TÍTERE PROCESSIONÁRIO, criada por Laurence Peter, a maior autoridade mundial
em estudos sobre a incompetência. Títere é sinônimo de fantoche, marionete;
processionário é aquele que segue, apenas segue. Há, para exemplificar,
uma espécie de larva que segue a da frente. Colocadas em círculos, estas
larvas processionárias ficam dando infinitas voltas umas atrás das outras
até morrerem de fome, mesmo quando, como se fez em várias experiências de
laboratório, havia alimento em abundância ao alcance de todas.
O títere processionário, portanto, é um verme que apenas segue e, assim,
se manipula com facilidade. Como sabemos, há muitos deles nas empresas
e demais organizações humanas. Tem da portaria até a presidência. Porém,
quando na administração de recursos humanos, passam por uma metamorfose
peculiar e de origem desconhecida para assumirem a forma mais letal que se
pode verificar na espécie dos títeres processionários: a forma que age sob
estímulo exclusivo do preconceito, aquela opinião sem julgamento à qual já
nos referimos, com poder de determinar a vida de pessoas. Visto que o títere
processionário não pensa, ele é evidentemente incapaz de julgar. E dá-se
a um sujeito destes o tal `poder de vida e de morte' sobre profissionais
que cometeram o terrível engano de não contrariar a natureza das coisas e,
imprevidentes, deixaram o tempo passar, atingindo os quarenta anos. Pela
lógica titeriana-processional, nada mais justo que punir estes ineptos que
não combateram com vigor o passar dos anos. E ousaram envelhecer. Já que o
profissional não foi capaz de fixarse na idade dos trinta anos, também não
será capaz de fixar-se na empresa ou num projeto qualquer. Corte-se-lhe,
pois, a cabeça.
Mas os sujeitos que mudaram o mundo o fizeram, em sua esmagadora maioria,
após completarem bem mais do que quarenta anos. Leonardo da Vinci, Isaac
Newton, Gutemberg, Sidarta Gautama (vulgo Buda), Churchill, De Gaule, Henry
Ford, Mahatma Gandhi, Roger Mila (que, até uns cinqüenta anos, jogou um bolão
pela seleção de Camarões)... dê uma olhadinha em qualquer livro de história
e confira. Só Jesus Cristo não conseguiu; certamente porque não lhe deram
chance de mostrar do que ele seria capaz após os quarenta (se aos trinta e
três já era um terror, imagina aos quarenta!). Talvez os romanos fossem os
precursores desta atual tendência da administração titerianoprocessional de
recursos humanos: "Está a caminho dos quarenta?!? Crucifica o cara!"
Falei com um executivo europeu e ele disse que lá no velho continente
idade não é fator de importância crucial. O que conta é o mix de
vontade-competência-experiência.
Então, estamos, no Brasil, criando know-how para exportação. Preconceito
globalizado, mas made in Brazil! Nossos preconceitos em relação à idade
nos fazem esquecer de sujeitos como Lee Iacocca, Antonio Ermírio de Morais
e mais um punhado de sessentões, setentões e oitentões que, ainda hoje,
estão à frente de seus barcos, são produtivos, arrojados, geram empregos e
fazem suas empresas dar muito lucro.
Por outro lado, sobre os idiotas que recusam um profissional por questão
etária, estes não poderão jamais ler algum texto primoroso que Manuel
Bandeira ou Cora Coralina, ou Goethe ou Ernest Hemingway, tenham escrito,
idosos, no final de suas vidas: por coerência, devem recusar tudo o que
estes e outros tantos velhos desprezíveis tenham produzido. A propósito,
quando escreveu seu Dicionário Filosófico, Voltaire já tinha uns oitenta anos.
Também convém que alguém conte a estes sujeitos (por pura sordidez e maldade)
que logo, logo eles mesmo chegarão aos... quarenta!
Esta gente que cultiva opiniões sem julgamento o faz porque, evidentemente,
não é capaz de julgar coisa alguma. Assim sendo, também não serão capazes de
tomar, com equidade, alguma decisão que exija mais do que alguns neurônios e
raciocínios primários. Devemos desprezá-los, embora com compaixão. E devemos,
por pura lógica, desprezar também, e principalmente, quem lhes confiou o
Há uma hora certa, no meio da noite, uma hora morta, em que a água dorme. Todas as águas dormem: no rio, na lagoa, no açude, no brejão, nos olhos d'água, nos grotões fundos.
E quem ficar acordado, na barranca, a noite inteira, há de ouvir a cachoeira parar a queda e o choro, que a água foi dormir...
Águas claras, águas barrentas, sonolentas, todas vão cochilar.
Dormem gotas, caudais, seivas das plantas, fios brancos, torrentes. O orvalho sonha nas placas das folhagens e adormece.
Até a água fervida, nos copos de cabeceira dos agonizantes...
Mas nem todas dormem, nessa hora de torpor líquido e inocente.
Muitos hão de estar vigiando, e chorando , a noite toda, porque a água dos olhos Essa... nunca tem sono...