Notas próprias


 
 

Ano novo, regras novas

 

"Quem disse que isto de ano novo é bobagem, nada muda? Claro que muda! Discussões filosóficas à parte, pelo menos nos países de língua portuguesa o novo ano trouxe diferenças. Vai ser meio confuso no início, como acontece em toda mudança, mas em pouco tempo a gente se acostuma. Alguns resistem mais e se recusam a mudar, como o escritor Ruy Castro afirmou publicamente. Ele deixou para os revisores a tarefa de tirar ou pôr acento - olha aí, este 'pôr', com significado de colocar, continua acentuado.

Uma amiga festejou a queda da crase. Tive de decepcioná-la: a crase continua imutável, pelo menos até a próxima reforma ortográfica. Quem faleceu, coitado, foi o trema. Mas não morreu completamente, vai aparecer em nomes e sobrenomes. Gisele Bündchen agradece se escreverem seu nome corretamente. Agora, que vai ser estranho escrever pinguim, frequente, cinquenta, ah, isto vai. Pelo menos vai facilitar a vida do editor de polícia do DIARINHO que não precisará mais corrigir guentar, quando o repórter quiser se referir a 'prender'. Adeus, já vai tarde!

 Esta reforma veio acabar com uma grande hipocrisia. Nunca se deixou de usar as consoantes K e W e a vogal Y, mas, na hora de recitar o abecedário, elas não existiam. Como amantes antigas e sem direito de aparecer em sociedade. Fez-se justiça. Agora é que os Maycon, Karynne e Wesley vão sentir-se redimidos, e os cartórios não encrencarão com as escolhas dos nomes dos pimpolhos.

 Até a gente se acostumar, vai ser difícil deixar de acentuar os ditongos abertos éi e ói das palavras que têm acento tônico na penúltima sílaba, como Coreia, boia, estreia, joia, plateia. Cuidado, que as palavras oxítonas continuam como dantes no quartel de Abrantes: herói, papéis, troféu.

Nas palavras paroxítonas, com i e u tônicos, quando antes vem um ditongo, acaba o acento agudo. Exemplos: feiura e baiuca.

 Agora facilitou a vida do 'polo'. Não haverá mais acento para indicar o som aberto ou fechado, nem para diferenciar os sentidos da palavra. Polo Norte,o jogo polo e a antiga preposição, que de tão antiga ninguém conhece, polo, são escritos da mesma forma, sem acento nenhum. Vai da frase para saber se o som é aberto ou fechado. Assim como pelo, no significado de fios, como os que cobrem os gatinhos, e a preposição pelo. Pelo sim, pelo não, tira-se o acento. Melhorou em relação à fruta pera, acentuada porque lá nos idos séculos passados havia uma preposição chamada pera sem acento. Este estava na hora de ser enterrado. E o Ivan Rupp pode agora escrever seu "para, né" sem acento no para, do verbo parar. Gostaste?

 Nem tudo mudou, não vale sair escrevendo direto sem acento, feliz da vida. Continuaremos registrando o tempo do verbo poder. Ele pode, ele pôde. Faz diferença pra caramba, por isto não foi mudado. Assim como o verbo pôr, citado lá no começo. Permanecem os acentos que diferenciam o singular do plural dos verbos ter e vir, assim como de seus derivados (manter, deter, reter, conter, convir, intervir, advir etc.). Exemplos: Ele tem dois carros. / Eles têm dois carros. Ele vem de Sorocaba. / Eles vêm de Sorocaba. Quem aprendeu assim, não muda nada. E quem errava antes, tá na hora de mudar a desculpa, a reforma não mexeu neste caso. Agora, quando tem duas vogais juntinhas, tipo voo, leem, abençoo, acabou-se o circunflexo. Vai em paz, eu te perdoo.

 Tudo muito fácil, tudo muito bom. Até aqui. O bicho vai pegar mesmo na hora de usar o hífen. Danou-se. O que era, deixou de ser, o que não era agora é. Diz a regra que se a segunda palavra começar por h, antes dela tem hífen. Como em pré-história. Mas... sempre tem uma exceção, no caso é a palavra subumano. Fica feio na escrita e na realidade.

Caso o prefixo, o que vem antes, termine com uma vogal e a palavra seguinte comece também por vogal, mas diferente, dá pra juntar tudo numa boa. Exemplo: autoescola, infraestrutura, extraescolar. A exceção desta regra é o prefixo co, que fica juntinho mesmo se a outra palavra começar por o. Mas isto a gente já fazia, ou alguém escrevia coordenado e cooperação com hífen?

Se o prefixo termina com vogal e a palavra seguinte inicia com consoante que não seja r ou s, dá pra juntar tranquilamente. Assim, fica anteprojeto, autopeça, seminovo, microcomputador. Exceção para o prefixo vice: vice-prefeito, vice-presidente.

Sei que agora vem a pergunta: e quando a segunda palavra começa com r ou s? Aí fica feio pra caramba, como em antirruga, ou nem vai se notar, como nas palavras microssistema, ultrassom, biorritmo, contrarregra.

Então duas vogais ou duas consoantes iguais se encontram. Que fazer? Separa, senão dá briga. Micro-ondas, anti-inflamatório, contra-ataque, semi-interno, super-romântico, hiper-requintado, inter-racial. Tranquilo, né? Mas... lá vem ele de novo, o mas. Quando o prefixo é sub e a palavra seguinte começa com r, tem hífen: sub-raça; nos prefixos circun e pan, diante de palavra começada por m, n ou vogal, usa-se o tracinho: circun-navegação, pan-americano.

Já se o prefixo acaba em consoante e a outra palavra começa com vogal, junta tudo e vai em frente: hiperativo, interestadual, superequipe.

Com os prefixos ex, sem, além, aquém, recém, pós, pré, pró, usa-se sempre o hífen. Exemplos: além-mar, ex-marido, recém-casados. Mas isto já era assim antes, só pra lembrar.

Beleza, agora vamos escrever paraquedista, sem separar e sem acentuar a palavra, o que veio regularizar a situação, já que quando duas palavras juntas formam uma terceira, com outro sentido, por que não escrever duma vez só? Como em girassol, pontapé, mandachuva.

 Então é isto, logo estaremos acentuando as palavras com naturalidade e separando ou não com hífen sem precisar consultar a gramática. Temos quatro anos para nos acostumarmos com as novas regras e muito mais tempo ainda para conviver com o jeito velho, já que os livros em circulação continuarão em uso. E um último recadinho. Se nem os especialistas resolveram alguns casos mais duvidosos, quem somos nós para ficarmos cobrando o jeito certo de escrever? Devagar, observando e exercitando, nos acostumaremos com as novidades.

Se há um consolo, para os portugueses será bem mais difícil aceitar as mudanças. Lá desaparecerão o c e o p de palavras em que estas letras não são pronunciadas, como "acção", "acto", "adopção", "óptimo" - que se tornam ação, ato, adoção e ótimo."

Ass: Mariângela Franco



Escrito por Mariangela às 19h08
[] [envie esta mensagem] []



HERANÇA

Mariângela Botelho Franco

 

 

Da vida que ora vivo

nada, por certo, levarei.

Nada levarei das lutas

por ser, ter ou fazer;

a extrema dor e a maior alegria

como fumaça no ar se evolarão.

Igual valor terá a desesperada corrida

à inércia de deixar o tempo passar.

O ciclo da natureza continuará

como o fora antes de mim.

Minha existência na corrente da humanidade

terá sido apenas um elo a mais.

 

Então por que viver, por que tantas batalhas

se a guerra final já está decidida?

Que importância há em existir

se independe de mim o início e o fim?

 

Ingrata que sou à vida que recebi

sem pedir a quem quer que seja

o responsável pela Criação.

Se existo, sou necessária

Alguém assim o quis.

Cabe a mim, imperfeita e ignorante,

Descobrir os objetivos para estar aqui.

E olhando a perfeição ao meu redor

vejo no sorriso de meus filhos

As respostas afinal.

Sim, faço parte da corrente da humanidade

que através de mim continuará

na eterna busca do Criador,

o princípio do círculo eterno.

 

O que levarei desta vida que ora vivo?

Levarei comigo o que aqui deixar:

o bem que espalhar pelo caminho

e as lembranças de meus tropeços

que os seguintes aprenderão a evitar.

 

Minha vida continuará

nas outras vidas que virão.

Não terão sido inúteis as batalhas

se os outros, meus semelhantes,

atentarem ao meu exemplo

de viver a dádiva recebida

agradecendo a cada dia

por fazer parte do eterno círculo

da Criação.

 

(publicado no jornal “João de Barro” em Porto Alegre – outubro/1991



Escrito por Mariangela às 16h01
[] [envie esta mensagem] []



Sputnik

 

A revista Veja de 3 de outubro de 2007 traz em suas páginas uma pequena lembrança tecnológica que marcou o destino da Humanidade. É que no dia 4 deste mês completam-se 50 anos do lançamento do primeiro satélite artificial pela antiga URSS e também o primeiro objeto fabricado pelo homem a orbitar a Terra.  

Acostumada a ver na televisão e no cinema as imagens de foguetes gigantescos, tive uma surpresa grande ao ler que o Sputnik – amigo em russo – era uma esfera com a carcaça de alumínio e media apenas 58 centímetros de diâmetro, pesava 84 quilos e não tinha nenhuma função, a não ser transmitir um sinal de rádio, "beep", que podia ser sintonizado por qualquer radioamador. O satélite orbitou a Terra por alguns meses antes de cair.

A revista Veja relembra o susto que os americanos levaram e bem se pode imaginar a paranóia generalizada que se alastrou pelo país ao perceberem o potencial perigo representado pela dianteira científica dos arquiinimigo.

Mais uma surpresa eu tive, ao ler sobre o assunto em outra publicação, que o primeiro ser vivo enviado ao espaço, chamava-se Kudriavka, e não Laika, como eu pensava. Laika era a raça da cadela, mas ficou conhecida assim e o engano generalizou-se, tanto que há uma homenagem a Laika como pioneira das viagens espaciais. Os dados biológicos do animal foram monitorados durante uma semana e depois, na reentrada, ele morreu.

Os avanços tecnológicos são tão rápidos, tudo vai se atropelando de tal forma que mesmo as pessoas mais interessadas não conseguem acompanhar.  Mas é bom relembrar como tudo começou, como foram dados os primeiros passos dessa caminhada.  O progresso científico acelerou-se desde aquele 4 de outubro de 1957; muitas foram as vítimas que ficaram anônimas pelo caminho, porém, graças a elas, temos tanta ciência, tanta tecnologia à disposição, que fica difícil imaginar como seria a vida se não tivesse ocorrido o lançamento ao espaço de uma bola de alumínio com quatro antenas chamada Sputnik ou o sacrifício de uma cadela chamada Kudriavka.

 

 

 



Escrito por Mariangela às 16h47
[] [envie esta mensagem] []



PERISCOPIO

www.periscopio.podomatic.com

Episódio com texto de César Valente sobre "Tolerância Zero". Imperdível mesmo!!!!!!



Escrito por Mariangela às 14h21
[] [envie esta mensagem] []



Idéias na cabeça e livros no coração

Zero Hora de hoje, 14 de março

"Carla Chamorro, que ajudou a transformar Morro Reuter na cidade dos livros, trabalha agora pelos leitores de Picada Café". A idéia é simples, mas funcional: uma sacola com 30 livros passa de casa em casa, como as imagens religiosas durante as novenas - será que ainda se faz isso?

O material emprestado desperta o gosto pela leitura, atrai possíveis consumidores e torna o livro acessível a quem não tem tempo ou dinheiro ou nenhum dos dois. Bela iniciativa.

 



Escrito por Mariangela às 14h43
[] [envie esta mensagem] []



Itajaí, 14 de março de 2007

Deu na Zero Hora de hoje, matéria de capa: "Se depender do papa Bento XVI, as missas - pelo menos em parte - serão celebradas em latim daqui por diante e católicos divorciados continuarão sem direito ao sacramento da Eucaristia. É o que propõe o documento Sacramentum Caritatis (Sacramento do Amor), divulgado ontem pela Santa Sé."
Eu me pergunto em quê isso pode contribuir para os objetivos da igreja. Se a missa já é um teatro de gestos e música, pelo menos todos entendem a linguagem e participam ativamente, alguns com verdadeiro fervor e entrega. Mas se a língua que o padre falar for o latim, quem vai entender? Bom, pelo menos terá a desculpa para desobedecer as instruções repassadas...



Escrito por Mariangela às 14h35
[] [envie esta mensagem] []



[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]





Meu perfil
BRASIL, Sul, ITAJAI, Mulher, Livros, Arte e cultura, Jornalismo
MSN -



Histórico
Categorias
Todas as mensagens
Link
Citação
Notas próprias
Ciência
Literatura
notícias
humor


Votação
Dê uma nota para meu blog


Outros sites
PERISCÓPIO
KALEIDOSPOD
querido leitor
JUS SPERNIANDI
A vida escrita a mão
A menina que fala pelos cotovelos
Alerta Total
Blog do Joel
blog do Monitor de Mídia
Biscoito da sorte
Bafafá
moinho de vento
Síndrome de Estocolmo
CONTA-GOTAS
MUNDIALNET
PUPILA VIRTUAL
livros e mais livros grátis
Marta Fernandes de Sousa Costa
Gata bordadeira
Artes bruxas
Rosinha Monkees
Jornal Passatempo